quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

OS 3 Fs DE UMA JOVEM BEIRÃ: FAMÍLIA, FRATERNIDADE E FORMAÇÃO (parte 1)

(Foto cedida por Ana Ribeiro)

Ana Ribeiro, 21 anos, finalista do curso de Enfermagem Veterinária é encantadora e bem-humorada. Desde pequena, guia-se segundo três grandes valores: a ligação à família, a dedicação aos estudos e a sede de novos conhecimentos.
Apesar de ter nascido em Coimbra, Ana passa os primeiros anos da infância na terra natal dos pais: Santa Comba Dão. Um dia, o pai decide emigrar para a Suiça no intuito de melhorar a vida familiar e antecipar financeiramente as futuras idas das filhas para a universidade. A sua irmã mais velha, a mãe e ela optam por mudar-se para Coimbra. Com apenas 9 anos, descobre a diferença entre morar numa aldeia e numa cidade. “Antigamente, em Santa Comba, andávamos de bicicleta na rua. Brincávamos em total liberdade. Não havia tantos carros. Na cidade, havia sempre mais perigos e uma intensa movimentação”, conta. A partida do pai é assim atenuada. Ana sente saudades, mas não pensa muito nisso. “Ir para Coimbra foi como uma aventura. Ia entrar para o 5º ano, para uma escola maior. Enquanto na aldeia, todos se conheciam. Ali não. Ia encontrar todos os dias pessoas diferentes. A ida do meu pai não me custou tanto. Sabia que ele regressaria rápido e com prendinhas. Era pequenina”, explica sorrindo com a recordação. Para apoiá-la na sua integração social e escolar, a mãe sugere uma visita ao psicólogo do estabelecimento de ensino. Mãe extremosa, vê nessa ideia uma maneira de a ajudar a abrir-se e a inserir-se no meio dos colegas. “Fiz a vontade à minha mãe e foi fantástico. Tanto, que no meu 7º ano, pedi para ir de novo ao psicólogo da escola. Adorava poder falar de tudo, sabendo que nada sairia de lá. Um pouco como num confessionário”, revela com um gargalhada sonora. E prossegue, “fazia também jogos de raciocínio e de memória. Foram momentos proveitosos que encarei como desafios”.
(Imagem retirada da Internet)
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Outra área que a motivou a evoluir enquanto pessoa, foi o Basquete. No 6º ano, Ana era alta e um pouco redondinha. Um dia, o treinador da equipe da escola perguntou-lhe se gostaria de experimentar. “Aceitei. Sabia que me ia custar imenso porque eu era muito sedentária e gulosa. Era sofá, estudos e televisão”, confessa. Esta modalidade desportiva permitiu-lhe expandir-se, chegando até a jogar nos Seniores e a ser federada. “Joguei dos 11 aos 16 anos. Acho que para um jovem, o desporto é excelente. Eu era introvertida, envergonhada e metida no meu canto. Graças ao Basquete, deixei de o ser. Fiz amigos e interagi. Até convivi com pessoas de diferentes países e culturas no ano em que participamos num torneio em França”. Hoje, é uma mulher comunicativa e extrovertida, aderindo a iniciativas que realçam essas facetas. “Nestas férias de Verão, associei-me ao projecto dos campos internacionais de trabalho, organizado pelo Instituto Português da Juventude. Lá, fizemos a Aldeia do Teatro e a Calçada Portuguesa, por exemplo. Lidei com jovens vindos da Coreia, da Turquia, ou seja, de diversos países europeus. E também de muitas regiões portuguesas”, menciona com enorme satisfação.

Na próxima quarta-feira, veremos a importância da família na vida de Ana e a sua realização profissional.

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

JUNTOS, VAMOS AJUDAR ISABELA NO “CAMINHO PARA O SEU SONHO” (PARTE II)

(Isabela, depois do acidente - foto cedida por www.isabelahope.org)


Num belo 1º de Maio, Isabela estava feliz. Acabado o serviço na barbearia, galgou a sua mota e preparou-se para ir ter com amigas e namorado à praia. Tudo corria na perfeição até chegar ao cruzamento da Avenida das Índias com o Museu dos Coches. Dois semáforos: um verde, outro mais à frente vermelho (conforme testemunhas do carro). “Era e sou responsável e não tinha o hábito de infringir o sinal. Se calhar, no momento em que me apercebi que estava vermelho, já era tarde demais e batia no BMW”, relata a jovem. O acidente foi grave. O seu corpo amassou o depósito da sua mota, dando a ideia de que se teria encolhido para proteger-se do embate. “Fui projectada para o chão e dizem que balbuciei uma frase. Penso que foi «Por favor, não me tirem o capacete» e desmaiei”, descreve, recordando muito pouco da tragédia. Os ferimentos foram de um grau impressionante: dois braços e duas pernas fracturados, bacia partida e lesão na vértebra D12. Maio de 2006, Isabela fica paraplégica. “Estou numa cela sem grades. Era uma pessoa tão activa. Custa-me. Confesso que, por vezes, já tive momentos de desespero”, reconhece.



(Isabela, depois do acidente - foto cedida por www.isabelahope.org)


No entanto, existe uma luz ao fundo do túnel, uma esperança de voltar a andar: uma cirurgia no Centro Internacional de Restauração Neurológico (CIREN), em Cuba. A operação consiste em despressurizar a zona afectada da medula e retirar fragmentos de ossos lá alojados. O valor do tratamento ronda os 30.000 Euros e engloba avaliações, tratamentos por ciclos de 28 dias e intervenção cirúrgica. A sua partida depende da angariação de 13.000 Euros. Pois, 17.000 já foram conseguidos em diversas acções de solidariedade levadas a cabo por familiares, amigos, associações de dança, pesca, BTT, grupos de motards, oriundos de vários pontos do País… O caso da Isabela também teve destaque em 3 canais principais de televisão (RTP2, SIC e TVI). “Eu era Non Stop Girl e gostava muito da vida que tinha. Quero-a de volta. Sonho em voltar a andar, comprar a minha casa sozinha, ser mãe, ser feliz e fazer feliz”, exclama com fé. E deixa um apelo: “Por mais pequeno que seja o donativo, para mim é grande (…). Continuem a passar a mensagem, eu quero voltar a andar, a esperança não ma tirem. Perdi a felicidade em segundos, hoje sorrio só com os lábios, sem alma nem coração. Façam com que o vento volte a bater na minha cara, com que eu volte a ser feliz”.

Ajude: o seu Comentário é o seu Contributo!

Nota: o texto (parte 1 e 2) foi baseado em dados cedidos pela Isabela, pelo site http://www.isabelhope.org/ e pelo blog http://www.hopeisabela.blogs.sapo.pt/. As fotos foram cedidas pela própria, através do site www.isabelhope.org

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

JUNTOS, VAMOS AJUDAR ISABELA NO “CAMINHO PARA O SEU SONHO” (PARTE I)

(Isabela, antes do acidente - foto cedida por http://www.isabelhope.org/)

Hoje, iremos contar-lhes a história de vida de Isabela Marques. Não é beirã, nem vive na Beira. No entanto, precisa de todos nós, e neste Natal, decidimos ajudá-la. Desse modo, a Olho de Turista organiza a campanha de solidariedade “A Caminho do Meu Sonho”, de 10 a 30 de Dezembro. Quer contribuir de forma simbólica? Basta deixar o seu comentário aqui no Clube, nos dois textos relativos à Isabela e/ou nos textos da Blogagem de Dezembro do blog http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/. A Olho de Turista doará 0,01€ por cada comentário. Para saber mais, espreite o referido blog (lá pode encontrar informação bancária para eventuais donativos individuais e links referentes a Isabela).

Era uma menina-mulher cheia de vida. Sabem, daquelas que o povo fala a brincar: “Ó rapariga, és movida a pilhas com tanta electricidade”. Desde cedo, Isabela aprendeu a viver de forma independente e responsável. Nasceu em Luanda (Angola) num belo dia de Junho de 1974. A cidade estava debaixo do clima da Guerra Colonial. Nada era previsível e tudo era inseguro. Única saída: Portugal. A mãe foge com ela para terras lusas e o pai, sargento paraquedista, regressará como ferido de guerra. Em Linhó (concelho de Sintra), a mãe de Isabela respira de alívio, conseguindo ter uma vida mais tranquila. A uma dada altura, a filha decide deixar de estudar e empenhar-se na sua meta individual: ser autónoma. Aos 19 anos, extremamente apaixonada, casa-se. Aos 24, divorcia-se. “Não admiti ser traída. Treze dias depois, peguei só nas minhas coisas pessoais e fui embora. Não queria partilhar algo que me fizera infeliz. Partir do zero era o meu novo propósito”, relata objectiva. Isabela é uma mulher de garra. Nesse episódio da sua vida, ela resolve alugar uma casa, trabalhar e estudar. “Arranjei coisas usadas para a casa, consegui um part-time e voltei a estudar à noite”, descreve com firmeza. E acrescenta, “também continuei na equipa de Futebol de 5 do Casal do Rato, na qual era guarda-redes”. O futebol foi uma paixão que durou 13 anos. A jovem ia a correr para os treinos, entre furos de aulas e até chegava a assistir a última ainda equipada.
Como não se considera nem “menina do papá, nem da mamã”, sempre trabalhou para obter o que queria. Algum tempo depois, com dinheiro poupado, aluga uma casa no Cacém e compra mobília e electrodomésticos. Após concluir o 12º ano, opta por tirar o curso técnico-profissional de Secretariado, no horário da noite, pois era trabalhador-estudante. Termina-o com muita satisfação pelo feito alcançado.


(Isabella, antes do acidente - foto cedida por www.isabelhope.org)

Apesar de abandonar o futebol, o desporto faz parte integrante do seu corpo e da sua mente. Isabela é uma amante verdadeira do exercício físico. Por amor, dedicava-lhe 3 horas, cerca de 3 a 4 vezes por semana. “No ginásio, fazia uma hora de cárdio e outra de musculação com o Luís. Praticava Step com a professora Cristina Rocha, Kickboxing com o Mestre Ramos, Bodycombat e Bodypump com a Paula Castro e o Fausto”, descreve emocionada. Além disso, ainda tinha tempo para a família, os amigos e um emprego full-time e outro em part-time. “Esses 4 anos foram os melhores da minha vida sozinha”, assegura. Entretanto, conhece M. com o qual namora e inicia uma vida em comum. À uma dada altura, o companheiro propõe-lhe a compra de uma casa. Isabela recusa por a mesma ter um preço acima das suas posses. Simultaneamente, arranja um part-time na secção de Material de Montanha da Decathlon, a fim de adquirir uma mota nova. Uma paixão que Isabel nutre há já muitos anos paralelamente com o Desporto. “Eu pretendia trocar de mota e M. queria oferecer-ma. Respondi-lhe que não. Queria merecê-la. Sempre lutei pelas coisas e consegui mais essa”, afirma com orgulho. Contudo, a relação com M. dura 3 anos, até ele se apaixonar por outra pessoa.
Sem mágoas, Isabela retorna à casa materna, com um novo objectivo em mente: comprar casa própria com os seus recursos. Para tal, soma um terceiro part-time: limpezas numa barbearia. Porém, o feriado de 1 de Maio de 2006, deita por terra o sonho e as ambições de Isabela.

Na próxima quarta, não perca o relato do acidente e a esperança no tratamento em Cuba…

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Nota: o texto (parte 1 e 2) foi baseado em dados cedidos pela Isabela, pelo site http://www.isabelhope.org/ e pelo blog http://www.hopeisabela.blogs.sapo.pt/. As fotos foram cedidas pela própria, através do site www.isabelhope.org

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

PORTUGAL NASCEU NA BEIRA (parte 2)

Quadro: "A Criança na Sociedade"

Esse apelo artístico é tão forte que a leva a procurar uma galeria. De início, pintava em casa no pouco tempo que lhe restava, após longos dias de trabalho. “Aproveitava e inovava com a mistura de materiais. Encontrava e transformava vidro, panos, croché, fotografias e pintura. Conseguia dominar várias práticas”, exemplifica. Num momento, sente-se presa em casa, sem espaço. “Mais do que expor o meu trabalho, queria um lugar só meu, que fosse o meu mundo para me esquecer e escapar de tudo”, segreda. No Atelier do nº 10 da Avenida Eng. Engrácia Carrilho, Licínia não só mostra e vende as suas obras, como também expõe a de amigos e conhecidos, e troca quadros com outros artistas. A pintora tem igualmente um vasto leque de exposições individuais e colectivas em várias entidades camarárias, turísticas, hoteleiras e culturais. Eis algumas das localidades por onde já passou em Portugal: Coimbra, Figueira da Foz, Góis, Luso, Mangualde, Mortágua, Nelas, Porto, São João da Pesqueira, Sátão, Viseu e Vouzela. E no estrangeiro, em Espanha: Oroso (Corunha), Ciudad de Rodrigo (Salamanca) e Aranda del Duero (Burgos).
Contudo, descobrimos que a sede de conhecimento de Licínia pelas Artes vai muito mais além da Pintura. Frequentou não um, mas quatro cursos na Universidade Sénior. “Primeiro, estive em Direito para alargar os meus saberes em leis. Depois, cursei Inglês por ser uma língua fundamental actualmente. Em terceiro lugar, Literatura, um amor nutrido há muitos anos e que me valoriza a alma. E por fim, Agricultura/Jardinagem por ser uma área com a qual tenho uma ligação materna muito forte. E também por não ter a certeza de ter para sempre a possibilidade de continuar a exercer a minha profissão”, relata efusivamente. Desse modo, Licínia não ficou inactiva e fugiu ao Sedentarismo. Todos os cursos aprendidos mantêm-se vivos no seu corpo e na sua mente. “A agricultura e a pintura são dois dos passatempos que me exercitam muito. Diariamente, impregno-me deles. As minhas filhas puxam-me, comprando-me livros para eu explorar”, acrescenta. Talvez por essa união familiar e o seu intenso sentimento humano, se vislumbra em todas as suas obras, uma cara. Considerando já esse facto como uma característica sua. “Há sempre uma espécie de rosto, uma presença humano. É um pouco como se a minha pintura estivesse fortemente ligada a minha profissão”, comprova, apontando para o canto de um dos seus quadros.

(Quadro de Licínia Portugal - imagem tirada da Internet)

Mas a artista, mesmo com 74 anos bem vividos, tem sonhos. Um já realizou: foi admitida no Museu Serralves. “Já era membro da “ARA”, um grupo espanhol de pintores. Porém, a minha maior alegria foi receber o cartãozinho com o meu nome e a inscrição «artista nº 424» do Museu Serralves”. Agora restam-lhe dois desejos: o primeiro é ver crescer a sua neta de 6 anos e o segundo é expor no Museu Serralves.
Se quiser ver as pinturas de Licínia Portugal, dirija-se até ao Auditório Carlos Paredes, em Vila Nova de Paiva, até dia 30 de Novembro.
Se por coincidência, percorrer os Caminhos de Santiago, talvez tenha a oportunidade de ver o quadro com o qual a autora vai participar. A exposição “Caminhos de Santiago” vai estar patente em diversos locais chave de Portugal e Espanha.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

PORTUGAL NASCEU NA BEIRA (parte 1)


Licínia Portugal é um nome sonante, fica na mente. É nome de País, terra e gente. Nascida em Cortegaça (Concelho de Mortágua), em 1935, com uma veia artística e outra humana, sempre viveu para os outros e é isso que a fez mover montanhas e pegar no pincel. Pois, Licínia é pintora, mas não só. Apesar da mãe se dedicar à agricultura, os avós e o pai eram industriais na área da madeira. Isso permitiu um grau de escolaridade mais elevado aos 3 filhos do casal (duas meninas e um rapaz). “Gostava muito de pintar, mas não se podia viver das Artes. Então, pensei em Medicina. Contudo, não conseguia lidar com a ideia de não conseguir salvar uma pessoa. Acabei por optar por Farmácia. Da pequena escola de Cortegaça, passeie por Mortágua, Viseu, Coimbra e acabei por me licenciar no Porto em 1959”, conta orgulhosa.
A partir daí, tornou-se uma mulher extremamente dedicada ao trabalho. Dia e noite, nunca parava. Primeiro, foi professora de Ciências Naturais e directora no “Colégio Português” (actual sede da Santa Casa da Misericórdia de Viseu). Na mesma altura, deu o nome a uma farmácia onde trabalhava algumas horas por dia. Esteve alguns tempos no Sanatório de Abraveses (que acabou por fechar) e 18 anos no Dispensário Antituberculoso. De seguida, ingressa para o Centro de Saúde da Sub-Região de Viseu, e finalmente, é escolhida para o Gabinete de Assuntos Farmacêuticos. Todos estes anos, Licínia esteve intensamente ligada ao ramo laboratorial e farmacêutico. Empenhou-se a 100% em análises, inspecções a farmácias e armazéns de medicamentos, entre outras funções. Ainda hoje, é técnica responsável de medicamentos farmacêuticos na AgroViseu. Paralelamente, acalentou o desejo de ter a sua própria farmácia. No entanto, não se concretizou. O marido veio a falecer aos 47 anos num acidente de viação e o sonho esfumou-se.

(Auto-Retrato)

Após residir alguns anos em Mortágua e Tondela, muda-se definitivamente para Viseu, cidade que ama de paixão. Já adulta, a jovem nunca deixou de desenhar, pintar, rabiscar… “Era muito boa aluna a desenho. E desde pequena, gostava de pintar e fazia pequenas coisas em aguarela. Em 1974, comecei mesmo a dar mais de mim à Pintura”, revela. Uma amiga ajudou-a no processo de aprendizagem de certas técnicas, na abordagem de materiais como o barro, etc. “Aos 39 anos, empenhei-me a sério. Sou autodidacta. Aconselharam-me a tirar fotografias, a aprofundar o meu dom, a grande sensibilidade artística que tinha. Assim fiz: comprei livros, fui a exposições…”, explica segura de si. E até aos familiares mais próximos, a artista incentivou o gosto pelas Artes. “Tenho 3 filhas e 6 netos. Tive a preocupação de incutir a todos o prazer das artes, da pintura, do desenho”, confessa com paixão.

Veremos na 2ª parte como a Licínia partilha com todos o seu amor pelas Artes...