Apesar de ter nascido em Coimbra, Ana passa os primeiros anos da infância na terra natal dos pais: Santa Comba Dão. Um dia, o pai decide emigrar para a Suiça no intuito de melhorar a vida familiar e antecipar financeiramente as futuras idas das filhas para a universidade. A sua irmã mais velha, a mãe e ela optam por mudar-se para Coimbra. Com apenas 9 anos, descobre a diferença entre morar numa aldeia e numa cidade. “Antigamente, em Santa Comba, andávamos de bicicleta na rua. Brincávamos em total liberdade. Não havia tantos carros. Na cidade, havia sempre mais perigos e uma intensa movimentação”, conta. A partida do pai é assim atenuada. Ana sente saudades, mas não pensa muito nisso. “Ir para Coimbra foi como uma aventura. Ia entrar para o 5º ano, para uma escola maior. Enquanto na aldeia, todos se conheciam. Ali não. Ia encontrar todos os dias pessoas diferentes. A ida do meu pai não me custou tanto. Sabia que ele regressaria rápido e com prendinhas. Era pequenina”, explica sorrindo com a recordação. Para apoiá-la na sua integração social e escolar, a mãe sugere uma visita ao psicólogo do estabelecimento de ensino. Mãe extremosa, vê nessa ideia uma maneira de a ajudar a abrir-se e a inserir-se no meio dos colegas. “Fiz a vontade à minha mãe e foi fantástico. Tanto, que no meu 7º ano, pedi para ir de novo ao psicólogo da escola. Adorava poder falar de tudo, sabendo que nada sairia de lá. Um pouco como num confessionário”, revela com um gargalhada sonora. E prossegue, “fazia também jogos de raciocínio e de memória. Foram momentos proveitosos que encarei como desafios”.
(Imagem retirada da Internet)***
Na próxima quarta-feira, veremos a importância da família na vida de Ana e a sua realização profissional.



















